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29.7.12

Nós e os Outros


   Estou cansado de ver crianças e adultos morrerem de fome em África, crianças e adultos serem escravizados na Ásia, crianças e adultos tendo que roubar para comer na América Latina, crianças servindo de soldados nas guerras, mulheres e crianças sendo obrigadas a prostituírem-se fora dos seus países por causa do tráfico humano. A ordem dos factores é arbitrária, e qualquer uma destas situações se pode passar em qualquer um dos continentes. E começo a estar farto, muito farto mesmo de gentinha engravatada que anda a roubar de forma autorizada em todo o mundo. Estou cansado de ouvir lamentações de gentinha que vive tranquila, rodeada de frivolidades, encafuadas no seu mundinho como se lá fora tudo estivesse calmo e sereno dentro da normalidade.

   Se também, você Leitor, achar que aquilo que é preocupante na sua vida for os aumentos da energia e os impostos sobre os bens alimentares ou nas portagens das auto-estradas, e o aumento do desemprego, sem sequer parar para pensar que enquanto não olharmos e vermos com atenção aquilo que está a acontecer ao redor do mundo, então, preocupante poderá ser mesmo o tipo de vida que esteja a levar. Indigne-se contra a forma como está a ser tratado em Portugal, mas não se esqueça que não é o único a ser maltratado em todo o mundo.

   Estou preocupado com o que está a acontecer em Portugal e no resto da Europa, por um motivo, eu acreditava que as conquistas no Velho Continente seriam um exemplo para melhorar o resto do mundo; e o que vejo eu? Vejo os governantes da velha Europa coniventes com as atrocidades praticadas em todo o mundo e ainda considerando que ao invés de se melhorar as condições de vida de toda a população mundial aquilo que há a fazer é piorar as condições de vida daqueles que estão melhor.


   Precisamos no entanto reflectir que aqueles que até há poucos anos estavam na mó de cima, como europeus e americanos, vivem em países que nos últimos séculos exploraram outros povos com intuitos meramente financeiros sem se preocuparem com questões sociais. No meu país há um ditado que diz: "Cá se fazem, cá se pagam!"


   Erros do passado resultam do tipo de mentalidades da época. O que já não é admissível é que se continue a perpetuar o erro apesar de toda a informação que existe. É que antes as pessoas ainda podiam justificar que não sabiam o que se estava a passar no resto do mundo, mas hoje já não mais desculpas, a informação está aí.


   No Brasil diz-se que os portugueses roubaram o ouro, como se isso fosse a coisa mais grave! Eu pergunto: o que fizeram aos índios, e aos escravos africanos? E o que se continua hoje a fazer aos  indígenas, aos africanos e aos pobres? Quer seja no Brasil, no resto da América do Sul, na América do Norte, em África ou na Ásia e na Europa...

   Hoje tudo se vende, tudo se permite em nome do dinheiro. É até autorizado que se possam cometer grandes barbaridades sociais em nome do lucro financeiro. Não importa com quem se fazem transacções comerciais desde que isso seja lucrativo para alguém, o que não significa que seja benéfico para a maioria da população. Países onde não se respeitam os direitos humanos são tratados nas palminhas das mãos, como os EUA, a China ou Angola, e outros são desprezados e condenados ao ostracismo e ao embargo económico como é o caso de Cuba.

   Se não houver uma união de todas as pessoas movidas pelas injustiças que se cometem contra os outros povos não esperem que a vida de cada um possa melhorar. O barco é só um e o afundamento dos outros arrasta todos por igual.

2.7.12

Fofoca
O bem que não vemos

   «Interessante como todos desejam o bem, a paz e a harmonia, porém insistem em cultivar o mal. Basta que ouçamos os noticiários, as conversas entre as pessoas nos lugares públicos, com algum conhecido que encontramos, para notarmos que todos os comentários e assuntos giram em torno de más notícias. Dificilmente ouvimos alguém falar sobre bons acontecimentos, gestos generosos de alguma pessoa, e tantas coisas boas que há no mundo. Todos têm o hábito de enfatizar o mal. Tudo isso nos dá a falsa impressão de que o mundo está perdido e de que estamos todos num barco à deriva, sem direcção.
   »Isso não é real. Basta que cada um de nós evite dar tanta importância ao mal e busque dar mais atenção ao bem que existe.
   »O mal só existe porque o alimentamos. Quando deixarmos de ressaltar o que não é bom, com certeza tudo fluirá duma forma melhor, mais leve, e as nuvens escuras dos maus pensamentos que nos circundam se dissiparão e poderemos ver a vida como um lindo dia, com o Sol a raiar em toda a sua plenitude.»


22.6.12

G20 quer que a Europa alivie a austeridade

UE: - Onde é que eu me sento?
(Cimeira do G20 - Junho, 2012 - México)

   É estranho que o Chefe do Governo português, ou melhor, o Secretário da Chanceler, Doutor PC, continue a apostar na austeridade quando já todo o mundo pede à moribunda União Europeia que abrande com o aperto de cinto infligido às populações europeias dos países mais endividados!

«Os 20 países mais desenvolvidos do mundo vão apelar para um alívio da austeridade orçamental na Europa, tendo em conta a degradação da conjuntura, afirmou na segunda-feira, em Los Cabos (México), a subsecretária do Tesouro norte-americana.
"Vemos uma mudança no discurso europeu quanto à importância crítica do apoio à procura e ao crescimento do emprego", disse Lael Brainard, em conferência de imprensa.
"De uma forma importante, há um reconhecimento da necessidade de avaliar os planos de consolidação dos orçamentos do ponto de vista estrutural. Em suma, de reconhecer a deterioração da conjuntura económica", acrescentou.
O défice orçamental tido como "estrutural" tem em conta os buracos causados nas finanças públicas por uma conjuntura económica difícil. Por isso, em períodos de crise, é menos elevado do que o défice real. Questionado sobre se a Alemanha apoia esta ideia de aliviar a austeridade, Brainard respondeu: "Sim, percebemos da parte dos nossos parceiros alemães que eles têm em conta a procura no seu pensamento de curto prazo".
"Acreditamos piamente que vão ver isso nos documentos que vão sair do encontro (...) Vamos ver que a forte atenção ao apoio da procura, ao reforço da procura, ao facto de reconhecer que a conjuntura se deteriorou é muito importante para os europeus", afirmou Lael Brainard.
Os países do G20 comprometeram-se, no encontro de Toronto, no Canadá, em 2010, a cortar para metade o seu défice orçamental em 2013, um objetivo que a Alemanha tem vindo a recordar, mas que os Estados Unidos não deverão cumprir.

[...]»

Origem: Económico

Consumismo

"Quem quer viver num mundo
melhor e mais harmónico?"

"Quem está disposto a abandonar esse modelo
de consumismo desenfreado para alcançar isso?"


   Sem mais comentários: enquanto nós próprios não mudarmos, também o mundo não irá melhorar...

Os políticos perderam a noção!



Os políticos perderam a noção do que é o bom senso!


Pode ler-se na imprensa:

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje "impressionantes" os passos que Portugal, Espanha e Itália deram para aumentar a competitividade no mercado mundial, e voltou a sublinhar que a austeridade é tão importante como o crescimento económico.

   Isto significa que, apesar de muitas vozes dissonantes a este tipo de raciocínio, até mesmo por parte de políticos alemães, os responsáveis políticos preferem ser insensíveis à realidade e ao sofrimento das pessoas, e das famílias, e debruçam-se unicamente sobre interesses económico-financeiros que beneficiem grandes multinacionais, a Banca e os círculos de amizade e de influência dos próprios políticos. O mesmo é dizer: perderam o bom senso.

   Quando a chanceler alemã, ou qualquer outro político, ou mesmo os economistas dizem que a austeridade é importante não estão apenas a ser mentirosos, como também estão, sim, a ser burros, insensatos e insensíveis. E por quê? Porque mentem por omissão quando dizem que há necessidade de aplicar a austeridade, omitem que é na política e na Banca que esse procedimento é necessário e acabam por aplicar a austeridade à população. São burros porque ao dizerem isso pensam que as pessoas têm todas os olhos tapados e que acreditam naquilo que lhes tentam impingir. São insensatos porque decidem aplicar "soluções" injustas para o pequeno comércio e indústria e prejudiciais para o bem-estar da população, e insensíveis porque não se preocupam que as medidas implementadas possam arruinar a vida das pessoas e das comunidades em que se inserem. Em suma, apenas pensam neles e nos benefícios a retirar de tudo isto para si mesmos.

   Por que será que quando se fala em austeridade não se vê a sua aplicação aos meios responsáveis por toda esta situação que estamos a viver e que são a política e a Banca? Apenas vemos como pagadores desta situação aqueles que pouco tiveram que ver com o que se está a passar! A população, em geral, também não está isenta de responsabilidades, mas é, sem dúvida a que menos culpas tem neste cartório de irresponsabilidades.

   A austeridade não é necessária, pelo menos nos moldes que está a ser aplicada e qualquer pessoa consegue ver isso. Ela é necessária sim, mas, para ser aplicada aos políticos, só que eles não querem ver isso. Então, invertem os papéis e dizem que a população tem que pagar a crise. Que o país tem que pagar os compromissos assumidos. Mas isso não é assim, quer dizer: não devia... ser assim! É que a responsabilidade pela porcaria que foi feita não é assumida, nem paga, por quem a fez mas, sim, pelos ingénuos dos votantes, apoiantes dos Governos, e também pelos outros que tendo ido votar não elegeram esses políticos que não foram, ou não são, honestos na forma de governar.

   Porque tem um país que pagar em poucos anos uma dívida que pode ser paga no dobro ou no triplo do tempo? Simplesmente porque os senhores que emprestam dinheiro às nações querem ver os seus rendimentos proliferar rapidamente, pouco importando que isso implique sacrifícios muito pesados para pessoas que não têm culpa de nada.
Ora bem, nos dias de hoje os estados europeus são considerados "eternos", quer isto dizer que não irão ser anexados por nenhum outro. Logo, não há risco de deixarem de existir, por isso, podem pagar as suas dívidas daqui a 10 ou, até mesmo, 100 anos! Ou, nunca mesmo, como aconteceu com a Alemanha que não cumpriu ordens judiciais de indemnizar outros países por danos de guerra, e o que lhe aconteceu? Rigorosamente nada, aliás, tornou-se na maior economia da Europa. Portugal até poderia fazer o mesmo e não seria tão hediondo como foi o caso germânico.
   Poderão dizer-me que Portugal não pagar as dívidas seria injusto para com os credores! Mas os credores quando emprestam já sabem que correm o risco de ganhar muito se tudo correr de feição ou perder se o caso ficar mal parado!


   O grande problema é que quem empresta o dinheiro aos países não são outros países mas, sim, particulares que querem a máxima rentabilidade possível no mais curto espaço de tempo que conseguirem. Mas, uma coisa eu garanto: quando deixarem este mundo não levarão consigo o dinheiro que esmifraram aos outros!


   Entre vários, houve na Europa, dois PM's (Primeiro-
-Ministros) que foram muito mauzinhos nas suas funções, no entanto foram eleitos democraticamente pela maioria do povo votante (não forçosamente pela maioria do povo eleitor que inclui os abstencionistas), e curiosamente apesar de eu não gostar dum nem doutro tenho que lhes dar razão nalgumas afirmações que fizeram após terem abandonado os cargos que ocupavam e da cagada que fizeram aos seus países:



José Sócrates, ex-primeiro-ministro 1- A primeira foi de Pinto de Sousa (vulgo Sócrates) já no seu idílico exílio parisiense que afirmou ter aprendido que as dívidas dos países não para se pagar (mas, sim, para se irem pagando). Que pena que o bom senso pós-governativo não tenha existido no seu tempo de governante!


2- A segunda foi doutro péssimo político o sr. Berlusconi, que afundou a Itália mas afirmou que se a srª. Merkel não mudar de rumo a Alemanha deverá sair do euro...

   No meu país, e não só, mas também na Europa e no resto do mundo, estamos a assistir à insana loucura do egoísmo e da usura, em que o importante é o que cada um quer, seja de que forma for, e de preferência que possa dar lucro, muito lucro, e rapidamente!

   Uma determinada secção hospitalar não dá lucro! Encerre-se, pouco importando que alguém vá deixar de ter acesso a esses cuidados de saúde. Um tribunal está a dar prejuízo! Feche-se, pouco importando que a injustiça aumente nessa região. Uma escola tem poucas crianças! Transfiram-se esses alunos, pouco importando que eles tenham que andar muitos mais quilómetros para se instruírem... assim como também não importa que os doentes tenham que percorrer maiores distâncias ou que não haja esquadras de polícia para defender as populações... que se fechem as estações de Correio, as repartições públicas, as lojas... etc. etc. etc! Nada disso importa porque tudo deriva da insensatez e da insensibilidade da classe política que se ajoelha à usura bancária e à ganância económico-financeira de certos grupos ou pessoas.


Stiglitz
Toda a gente percebe que os político e os usurários nos enganam dizendo que temos que passar por tudo isto, mesmo apesar do Prémio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, dizer que a austeridade não é o caminho!

   Querem fazer-nos crer que Portugal está no bom caminho por estar a destruir a pequena indústria, o pequeno comércio, o emprego e o poder de compra da classe média e a esmagar os pobres e endividados! Isso é insensatez e insensibilidade por parte de quem detém o poder. Mas, é também responsabilidade de quem não vota, de quem vota de forma inconsciente e de quem nada faz para lutar contra o mal que está a instalar-se  nas sociedades europeias e mundiais.

   Talvez inspirado no que escreveu Vladimir Mayakovsky (Maiakovski):

«Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.
»Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão. E nada dizemos.
»Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho na nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo o nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E porque nada dissemos, já nada podemos dizer.»


Bertold Brecht, escreveu também:

«Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
»Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
»Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
»Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.
»Agora estão a levar-me 
Mas já é tarde...
Como não me importei com ninguém
Já ninguém se importa comigo. »
E, Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazis, escreveu:


«Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
»No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
»No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
»No quarto dia, vieram e  levaram-me;
mas já não havia mais ninguém para reclamar...»


   Assim são as pessoas, muitas delas não se importam com o que acontece aos outros, porque aquele problema "não" é delas!
   Estes três textos acima conduzem-nos à reflexão, e assim percebemos que a culpa das burradas feitas pelos políticos e o encolher de ombros com o que está a acontecer aos outros faz de cada um de nós, eleitores e cidadãos, responsáveis pelo momento que estamos a passar.


Os políticos e os usurários perderam a noção de bom senso, e o resto da população também...



26.5.12

União SIM, mas qual unidade!?



   A ganância humana é incompreensível, especialmente, nos dias de hoje. Terá sido compreensível no passado (embora injustificável), mas hoje nem se justifica nem se compreende, mesmo!
   A olho nu não se percebe, mas se for analisado sob o ponto de vista psicológico conseguiremos entender que há uma característica no ser humano que o leva a ser ganancioso: é o ego. É o instinto animal e irracional de sobrevivência. É o querer ter sempre mais com medo que alguma coisa lhe falte, sem parar para pensar que durante a sua vida não se necessita de tantas coisas quantas aquelas que se acumulam e no dia da morte física nenhum dos bens acumulados seguirão viagem connosco.   Começo por falar na tendência gananciosa porque essa é realmente a base da situação que se vive actualmente.

   O projecto da União Europeia surgiu com o intuito de aproximar os povos que viveram em guerra durante séculos. Isso pressupunha um esforço de todas as nações integrantes dos primeiros núcleos como a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, passando pela Comunidade Económica Europeia até à constituição da UE, e da integração futura de outros povos e nações ao grupo da União.

   A União Europeia deveria ser uma unidade federal em que cada povo-nação-estado-membro fosse tratado da mesma forma, com os mesmos deveres-obrigações e direitos-regalias; e onde cada povo fosse ensinado a respeitar as diferenças dos outros, pois para se poder viver em união nenhum povo poderá considerar os outros como inferiores. a UE precisa ser uma Comunidade preocupada com a parte social e humana e não um grupo mercadista ou mercantilista, apenas com intuitos de transacções financeiras dos mercados ou de bens mercantilizados.

   Assim, enquanto a União se virar para o aspecto negativo do capitalismo que é o neoliberalismo (ou capitalismo selvagem) e esquecer as pessoas e os grupos de pessoas, as sociedade, e os povos nada funcionará bem.

   A seguir é possível ver um vídeo grego que nos explica muito bem como se destroem povos e países, começando pela antiga Alemanha Democrática após a integração na Alemanha Federal, passando pela Grécia com rumo a Portugal e a outros estados-membros da União como a Espanha, a Itália, ou mesmo a Bélgica ou a França.


   Há alguns anos a Argentina também foi destruída pelo neoliberalismo do seu presidente Carlos Menem, como se pode ver mo vídeo a seguir, modifiquemos-lhe o título para "Portugal (Grecia ou Europa) de los neoliberales" ou para qualquer outro cabeçalho ao nosso gosto e pretemos atenção ao conteúdo, à mensagem que nos é revelada.


   Hoje, a O Governo espanhol, e a UE vêem com maus olhos as atitudes da Presidente argentina Cristina Kirchner e do Presidente boliviano Evo Morales que decidiram nacionalizar multinacionais espanholas que apenas estavam a prejudicar os seus povos e os seus países, mais do que a oferecer-lhes qualquer benefício.

   Como poderemos nós portugueses assistir de braços cruzados ao aumento do preço das tarifas da electricidade e ao mesmo tempo saber que o Conselho de Administração da EdP recebe mais de 17 milhões de euros por ano!? O director executivo da EdP já passou por outros cargos em que beneficiou ele próprio, e tornou possível outros beneficiarem, de dinheiros públicos, basta que se procure "salários de António Mexia" no Google (ou noutro qualquer motor de busca da internet); estas foram algumas das fontes de receitas: Galp Energia, GdP, Transgás e ministro das Obras Públicas e Transportes. Nada tenho contra o sr. Mexia, em particular, mas sim, em geral, contra todos os vampiros da nossa sociedade onde há demasiada promiscuidade político-económica permitida pelos eleitores-
-contribuintes!

   Voltando à Europa, nenhum cidadão europeu poderá continuar a perseguir apenas o seu umbigo se quiser viver num continente com futuro e com qualidade de vida. Para isso será necessário que os Governos nacionais promovam através da educação a unidade dos povos, que se fomente o uso duma língua comum europeia que não seja propriedade de nenhum dos estados-membros e que haja canais comunitários de TV, além de se fomentar ainda mais o intercâmbio estudantil para que as pessoas se vejam como células de um corpo e não como concorrentes ou inimigas dentro da mesma União. A UE precisa de ter uma unidade judicial, educativa, laboral, política e monetária em todos os seus estados-membros, em vez de ser uma autêntica manta de retalhos de vontades e interesses discordantes.

   Os cidadão escandinavos, ou nórdicos, por exemplo, que vivem em sociedades, aparentemente, bem estruturadas mas com elevadas taxas de suicídio e onde surgem no seu seio atiradores furtivos com intenções de assassinatos colectivos não deverão pensar que os povos do sul que gostam de confraternizar com os amigos e familiares numa esplanada de café, ao sol, são pessoas inferiores. Tão importante como a organização da sociedade é o bom relacionamento entre as pessoas, e é isso que falta aos povos europeus: olharem-se como um só e perceberem que precisam de viver em União mantendo bons relacionamentos. As guerras europeias precisam de fazer parte apenas dos livros de História e não do coração das pessoas...

Congratulations populos europeos
(Felicidades aos povos europeus - interlíngua)



João Galizes

1.5.12

Aos 67!? Ou aos 80?

   Por que não até aos 90 ou até morrer? Talvez não perdêssemos as nossas faculdades tão cedo se continuássemos a trabalhar após a actual idade de deixar o emprego. Deve ser a teoria dos neoliberais!
   Épocas houve em que a idade de reforma era atribuída aos 60 anos, nalguns casos aos 55. Depois passou para os 65 para os homens e 62 para as mulheres. Mais tarde passaram as mulheres para os 65, também, como já acontecia com os homens. Agora já se pondera que seja aos 67 anos que uma pessoa possa deixar de trabalhar e receber o máximo a que tem direito por se aposentar.
  Dizem-nos que é por causa da sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Será mesmo? Então os políticos também só irão receber as suas pensões de reforma aos 65 (ou 67)?
   E agora, só poderão reformar-se aos 65!? Ou o dinheiro que se gasta com uns não é um problema como se torna quando se trata dos outros?
   Aumentar ou não aumentar a idade de reforma? A questão, ciclicamente recuperada, voltou à ordem do dia pela boca do Primeiro-Ministro, Santana Lopes, que defendeu a subida. A ideia é também admitida pelo PS. Mas conta com a feroz oposição de patrões e sindicatos. (DN 31.Jan.2005)

   Santana Lopes vai receber a partir do próximo mês uma pensão de 3178 euros como ex-Presidente das Câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa. O nome do ex-
-Primeiro-Ministro consta da listagem de "aposentados e reformados" com pensão paga pela Caixa Geral de Aposentações. Santana tem 49 anos e esteve na Figueira da Foz entre 1997 e 2001 e entre 2001 e 2004 em Lisboa. Pelo período em que foi Primeiro-Ministro Santana também tem direito a reforma (proporcional ao tempo que esteve no cargo)
.
(DN 23.Set.2005)


Pensões dos políticos custam 80 milhões de euros em 10 anos
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   Por muitas justificações que nos dêem, tudo não passa duma falácia. Eternamente a areia nos olhos do povo.

   
   O Prof. José Hermano Saraiva também foi Ministro da Educação entre 1968 e 1970 (no tempo da ditadura). Segundo o que ele contou, um dia, estava preocupado porque precisava de conseguir dinheiro para aumentar o salário dos professores primários e não sabia onde ir arranjá-lo. Até que alguém lhe disse que "as respostas estão sempre na nossa frente!" Olhou para o que se encontrava em cima da sua secretária e pensou: "as respostas estão sempre na minha frente! Mas onde?", como era um fumador inveterado, aquilo que viu foi um cinzeiro com um cigarro seu a fumegar. A resposta estava na sua frente. Chamou um secretário e pediu-lhe que indagasse quantos cigarros se fumavam em Portugal, após receber essa informação decidiu que cada maço de cigarros iria passar a custar mais $50 (cinco tostões, 50 centavos do antigo escudo, hoje 0€25). Esse seria o valor necessário para poder pagar aos professores.

   Hoje, eu diria que essa taxa deveria servir para custear a Saúde. Mas, quero com isto demonstrar que quando um Governo precisa de dinheiro deve recorrer a fontes lucrativas  para se financiar em vez de continuar a sacrificar toda a população com mais impostos. Empresas rentáveis como as energéticas foram entregues aos privados que as exploram a seu bel-
-prazer, em vez de permanecerem como forma de financiamento do Estado, sob o seu controlo.

   O senhor, Ministro da Segurança Social (dizem que também é da Solidariedade, solidário com quem? Nem com a motinha dele!), Mota Soares, será aquele que irá prorrogar o limite da idade de aposentação. Não há dúvida! Eu só gostaria de saber como é que a Segurança Social angaria mais dinheiro por obrigar as pessoas a trabalharem mais anos, se cada vez há menos gente a trabalhar e a contribuir com os seus descontos! Acho que o financiamento terá que passar por se retirar as pensões aos políticos e serem entregues à Segurança Social, também, pelo pagamento de impostos devidos pela Banca, pela Bolsa e por muitos outros negócios chorudos (ou da China) que não contribuem verdadeiramente para o encaixe de dinheiro nos cofres do Estado mas, sim, para os cofres de muita gente que nem sequer tem nacionalidade portuguesa.

   Ser ministro em Portugal é fácil, nos nossos dias, não requer muito trabalho, basta não ter sensibilidade social e fazer as coisas da forma mais simples, pena que nem sempre seja da forma mais inteligente ou eficaz nem a pensar na população! Se quisessem eu até lhes poderia da umas sugestões donde irem buscar fundos de sustentabilidade, mas a mim nenhuma Universidade me passa diplomas ao Domingo, e quem manda não ouve mais nada de ninguém! É pena!

   Critica-se a Grécia porque os gregos estavam a reformar-se aos 55 anos. Mas, geralmente quem faz essas críticas são aqueles que têm liberdade de conduzir a sua vida como bem querem. São esses que obrigam a maioria da população a trabalhar em condições de quase escravatura e, nalguns casos, de verdadeira escravatura mesmo, mas que não seguem as mesmas regras que impõem aos outros. Na Grécia, a maioria das pessoas vivia feliz, presentemente o suicídio aumentou 40%. Da forma como os governantes destroem os países não poderão ser levados a tribunal?

   Com que idade deverá uma pessoa aposentar-se (passar à reforma, ou deixar de trabalhar)? Quando deverá uma pessoa ter tempo para poder descansar depois duma vida, tantas vezes árdua, de trabalho? Para que servirá uma vida de trabalho duro se uma pessoa não puder desfrutar dos seus últimos anos de vida de forma condigna e de forma tranquila? No período de vida activa não se pode ir de férias porque não se tem dinheiro. Não se pode partilhar o tempo com a família nem descansar aos fins-de-semana nem aos feriados porque é preciso trabalhar para fazer face às despesas. No final não é possível conseguir passar à reforma porque há que sustentar os gastos loucos dos governantes despesistas! Manso é o povo que suporta tudo isto de forma resignada achando que nada se pode fazer, e que os ministros podem tudo simplesmente porque têm o poder, a faca e o queijo, nas mãos.

    Ainda tenho esperança de vir a conseguir ver melhoradas as condições de trabalho como se pensou que iria acontecer (e que em parte aconteceu) após a Revolução de 74. Na verdade, as condições laborais melhoraram bastante no séc. XX, mas voltou a perder-se qualidade no séc. XXI, com o avanço dos conceitos neoliberais globais. Já Tomás Morus (Thomas More), no séc. XVI, escreveu a obra Utopia, na qual propalava a ideia duma jornada de trabalho de 6 horas diárias. Hoje, quase 500 anos depois, há pessoas que trabalham o dobro (e até mais), e o actual Governo teve o desejo de aumentar as horas de trabalho. O presente Governo possui uma filosofia neoliberal, tal como os anteriores, mesmo que aqueles se intitulassem socialistas. A verdade é que nenhum deles se preocupou realmente com as pessoas no seu aspecto humano, mas apenas olhou para elas como peças duma máquina de fabricar dinheiro que serviria (e ainda serve) para benefício de grupos de elite.


   A situação continuará a piorar se os paradigmas da sociedade não se alterarem para melhor. Com o capital que existe em circulação há capacidade para se melhorar a vida de toda a população mundial, mas infelizmente não há vontade política nem financeira para isso. As pessoas que poderiam ficar indignadas com a degradação das condições de vida muitas vezes nem se manifestam, porque no seu íntimo ainda existe uma réstia de esperança de que um dia poderão alcançar um nível superior àquele em que se encontram e vir a desfrutar de idílicas regalias, apenas ao dispor de poucos. Enquanto essa mentalidade prevalecer nada irá melhorar, embora aparentemente até possa parecer que sim.

   É necessária uma verdadeira mudança social e de mentalidades, será preciso que as pessoas tenham a noção de que nada estará bem enquanto uns se vestirem com roupas caríssimas e comerem refeições proibitivamente dispendiosas outros passarem frio e fome. Por que haverá alguém de querer possuir uma piscina privada em casa em vez de utilizar uma que seja pública, partilhando o local com mais gente!? Por que será que há pessoas que adoram carros de alto preço quando outras nem dinheiro têm para andar de transportes públicos!? Por que será que há quem se delicie com moradias de luxo quando tantos nem um tecto possuem para se abrigar!? Estas diferenças escandalosas são aquilo que promovem os governos neoliberais. Viver com um certo tipo de luxo até pode ser agradável, mas será justo? Será justo que queiramos só para nós aquilo que não desejamos conceder aos outros? Não se pretende que sejamos todos pobres mas, sim, que não haja miséria nem pessoas exploradas ou mal tratadas como se houvesse pessoas de 1ª, 2ª, 3ª e mais classes, ainda.


 Liberté,  égalité,  fraternité 

   A oposição a este tipo de regime, o capitalismo neoliberal global – que vigora em quase todo o mundo ocidental, e que já se propagou a outras sociedades que possuíam formas diferentes de viver  –  não é o comunismo mas, sim, um outro tipo de sociedade baseada em conceitos, ainda não colocados totalmente em prática (nem mesmo em França, o seu berço) e que foram promovidos pela Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade e também mencionados nos Direitos Humanos, presentes na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Claro que do séc. XVIII até agora outros conceitos positivos foram também surgindo, o problema é que quem manda, quem detém o poder, não quer, nem se esforça por, implementar medidas produtivas, equitativas e justas. Até esse momento chegar, alhures no futuro, uns irão continuar a sofrer e a morrer para se conseguir manter a sustentabilidade duma minoria que não se preocupa com mais ninguém. Até lá resta à maioria da população duas opções válidas: revoltarmo-nos ou resignarmo-nos. Com a primeira, as pessoas, poderão tentar levar à construção duma sociedade igualitária e justa através de diversos tipos de batalhas (ou serem derrotadas, mantendo-se tudo igual ou pior), ou, poderão resignar-se e aceitar as coisas como estão e aproveitarem para reflectir sobre o significado do sofrimento, sobre as injustiças que são praticadas, aproveitarem, também, para treinar a paciência, perder o medo e desenvolver o amor aos outros e a si mesmo, tudo isto na base da influência através do exemplo de atitudes pacíficas. A escolha é nossa, é de cada um.
Resistência francesa à ocupação alemã na II Guerra Mundial e Gandhi defensor da não violência

   Sendo, pois, legítimo que lutemos contra as injustiças de que estamos a ser alvo presentemente, há, no entanto, que reflectir numa coisa: tudo aquilo pelo qual estamos a passar, neste momento a que chamam "crise", poderá ser considerado mínimo perante tantas barbaridades e atrocidades que as nações europeias já perpetraram contra outros povos. O nosso bem-estar europeu, em parte, também foi conseguido à custa de muito suor, sangue e lágrimas de muitos africanos, americanos (do norte e do sul), asiáticos e mesmo dalguns europeus... mesmo que não se acredite em carma, pelo menos tudo há-de ter um preço, que é pago na hora ou mais tarde com juros incluídos, e sempre devemos estar conscientes de que tudo o que se faz tem as suas consequências... quer sejamos nós ou tenha sido feito pelos nossos antepassados!