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29.7.12

Por uma sociedade sem armas...

O presidente dos EUA é recebido pelo chefe de polícia Dan Oates, e prefeito de Aurora, Steve Hogan. Foto: Reuters

   A sociedade norte-americana apresenta conceitos nada democráticos nem salutares para a vida em comunidade, onde os inocentes acabam por pagar a insanidade de quem tem acesso ao mercado legalizado das armas. Dizem que comprar armas é um direito dos cidadãos para se poderem proteger. Não sei de quê nem de quem se quem compra armas passa, ele próprio, a constituir um foco de perigo. As pessoas lamentam-se do ocorrido mas nada fazem para modificar e melhorar a situação.

   Ao contrário do que seria de esperar a atitude social não mudou, após a tragédia num cinema da cidade de Aurora no estado do Colorado o que ocorreu foi uma corrida à compra de armas, como se isso resolvesse o problema!
João Galizes

Cartoon

“Vende-se” / “Vendido”

   «Novamente o mundo assiste perplexo a mais um massacre nos Estados Unidos. E, novamente, a sociedade norte-americana chora os seus mortos. Nenhuma novidade. Lá são inúmeros os casos de pessoas, aparentemente insuspeitas, que planearam cuidadosamente cada detalhe de uma chacina e a colocaram em prática com objectos encontrados em estabelecimentos comerciais.
»No dia 20 de Julho, um jovem de nome James Holmes, equipado com colete à prova de balas, capacete, máscara anti-gás e armado de pistola, espingarda e carabina, entrou num cinema em Aurora, no Colorado, lançou granadas de gás e disparou contra os espectadores matando 12 deles e ferindo outras dezenas. De acordo com a polícia, James Holmes não tinha antecedentes criminais, o que significa dizer que até o dia do massacre James não infringiu a lei, excepto uma multa de trânsito em 2011. O jovem não comprou o armamento e as munições das mãos de traficantes ou contrabandistas. Foi tudo adquirido dentro da lei em lojas legalizadas.
»James Holmes comprou quatro armas, dentre elas uma carabina semi-automática calibre .223. Armas com esse calibre podem ser encontradas em qualquer mercado nos Estados Unidos e a sua aquisição não requer nenhum exame psicotécnico, depende apenas do dinheiro. Na Bas Pro Shop, uma das lojas visitadas por James, uma carabina desse calibre, semi-automática, Remington R-15 VTR Predator, custa US$ 1.149,99. Apesar de ser vendida como arma de caça, o seu calibre foi desenvolvido por empresas dos Estados Unidos para o exército daquele país que, depois da Segunda Guerra Mundial, concluiu que precisava de um munição mais leve que a tradicional 7.62, afim de que os seus soldados tivessem mais precisão de tiro e pudessem carregar consigo mais balas. O campo de provas desse novo calibre foi a selva vietnamita nos anos 60.
O mercado não se importa em produzir artigos que possam, fatalmente, resultar na morte dos seus consumidores. O sistema económico vigente consiste no tripé: produção em massa/consumo/descarte. Para mantê-lo é preciso criar perfis de consumo que nem sempre são baseados em necessidades reais. É preciso produzir, não importa a que preço. Basta rotular um maço de cigarro com “O Ministério da Saúde adverte…” ou uma garrafa de bebidas alcoólicas com “Se beber não conduza” para que se redima a culpa da indústria pelas mortes decorrentes de doenças respiratórias e acidentes de trânsito. A indústria de alimentos despeja todos os dias nos supermercados produtos que serão responsáveis por doenças cardíacas, cancerígenas, e de diabetes. A indústria química, proibida de vender agrotóxicos nos países ricos, vende-os a preço de banana para as nações do Terceiro Mundo.
»Nos Estados Unidos a indústria cinematográfica e de armamento andaram sempre de mãos dadas. Hollywood tem sido uma montra para o lobby das armas. É a forma mais eficiente de publicidade. Raramente um filme americano na TV ou no cinema não tem pelo menos um personagem disparando armas, mesmo em comédias ou filmes românticos como Ghost e Titanic. Assim como os filmes de Humphrey Bogart e James Dean estimularam muita gente a fumar, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis certamente inspiraram outros tantos a comprar pelo menos uma pistola.
»E aqui fica a pergunta. Por quê tanta perplexidade com a acção de James Holmes? O atirador do Colorado não fez nada que a sociedade e o mercado não conhecessem e incentivassem. Ele foi até à loja, comprou máquinas de matar de forma legal e fez exactamente o que se espera delas: matou. James Holmes é portanto um consumidor, e o mercado agradece. A indústria de armas não vai parar por causa das vidas ceifadas à bala naquele cinema em Aurora, muito menos pelos mortos em ataques de aviões não-
-tripulados norte-americanos no Paquistão e no Afeganistão. É tudo negócio, nada pessoal.
»Mais importante do que nos debruçarmos sobre o perfil psicológico de James Holmes é analisar o carácter da Constituição  que tornou possível a sua acção brutal.»

Carlos Latuff

Fonte: CartaCapital


Nós e os Outros


   Estou cansado de ver crianças e adultos morrerem de fome em África, crianças e adultos serem escravizados na Ásia, crianças e adultos tendo que roubar para comer na América Latina, crianças servindo de soldados nas guerras, mulheres e crianças sendo obrigadas a prostituírem-se fora dos seus países por causa do tráfico humano. A ordem dos factores é arbitrária, e qualquer uma destas situações se pode passar em qualquer um dos continentes. E começo a estar farto, muito farto mesmo de gentinha engravatada que anda a roubar de forma autorizada em todo o mundo. Estou cansado de ouvir lamentações de gentinha que vive tranquila, rodeada de frivolidades, encafuadas no seu mundinho como se lá fora tudo estivesse calmo e sereno dentro da normalidade.

   Se também, você Leitor, achar que aquilo que é preocupante na sua vida for os aumentos da energia e os impostos sobre os bens alimentares ou nas portagens das auto-estradas, e o aumento do desemprego, sem sequer parar para pensar que enquanto não olharmos e vermos com atenção aquilo que está a acontecer ao redor do mundo, então, preocupante poderá ser mesmo o tipo de vida que esteja a levar. Indigne-se contra a forma como está a ser tratado em Portugal, mas não se esqueça que não é o único a ser maltratado em todo o mundo.

   Estou preocupado com o que está a acontecer em Portugal e no resto da Europa, por um motivo, eu acreditava que as conquistas no Velho Continente seriam um exemplo para melhorar o resto do mundo; e o que vejo eu? Vejo os governantes da velha Europa coniventes com as atrocidades praticadas em todo o mundo e ainda considerando que ao invés de se melhorar as condições de vida de toda a população mundial aquilo que há a fazer é piorar as condições de vida daqueles que estão melhor.


   Precisamos no entanto reflectir que aqueles que até há poucos anos estavam na mó de cima, como europeus e americanos, vivem em países que nos últimos séculos exploraram outros povos com intuitos meramente financeiros sem se preocuparem com questões sociais. No meu país há um ditado que diz: "Cá se fazem, cá se pagam!"


   Erros do passado resultam do tipo de mentalidades da época. O que já não é admissível é que se continue a perpetuar o erro apesar de toda a informação que existe. É que antes as pessoas ainda podiam justificar que não sabiam o que se estava a passar no resto do mundo, mas hoje já não mais desculpas, a informação está aí.


   No Brasil diz-se que os portugueses roubaram o ouro, como se isso fosse a coisa mais grave! Eu pergunto: o que fizeram aos índios, e aos escravos africanos? E o que se continua hoje a fazer aos  indígenas, aos africanos e aos pobres? Quer seja no Brasil, no resto da América do Sul, na América do Norte, em África ou na Ásia e na Europa...

   Hoje tudo se vende, tudo se permite em nome do dinheiro. É até autorizado que se possam cometer grandes barbaridades sociais em nome do lucro financeiro. Não importa com quem se fazem transacções comerciais desde que isso seja lucrativo para alguém, o que não significa que seja benéfico para a maioria da população. Países onde não se respeitam os direitos humanos são tratados nas palminhas das mãos, como os EUA, a China ou Angola, e outros são desprezados e condenados ao ostracismo e ao embargo económico como é o caso de Cuba.

   Se não houver uma união de todas as pessoas movidas pelas injustiças que se cometem contra os outros povos não esperem que a vida de cada um possa melhorar. O barco é só um e o afundamento dos outros arrasta todos por igual.

2.7.12

Fofoca
O bem que não vemos

   «Interessante como todos desejam o bem, a paz e a harmonia, porém insistem em cultivar o mal. Basta que ouçamos os noticiários, as conversas entre as pessoas nos lugares públicos, com algum conhecido que encontramos, para notarmos que todos os comentários e assuntos giram em torno de más notícias. Dificilmente ouvimos alguém falar sobre bons acontecimentos, gestos generosos de alguma pessoa, e tantas coisas boas que há no mundo. Todos têm o hábito de enfatizar o mal. Tudo isso nos dá a falsa impressão de que o mundo está perdido e de que estamos todos num barco à deriva, sem direcção.
   »Isso não é real. Basta que cada um de nós evite dar tanta importância ao mal e busque dar mais atenção ao bem que existe.
   »O mal só existe porque o alimentamos. Quando deixarmos de ressaltar o que não é bom, com certeza tudo fluirá duma forma melhor, mais leve, e as nuvens escuras dos maus pensamentos que nos circundam se dissiparão e poderemos ver a vida como um lindo dia, com o Sol a raiar em toda a sua plenitude.»


22.6.12

G20 quer que a Europa alivie a austeridade

UE: - Onde é que eu me sento?
(Cimeira do G20 - Junho, 2012 - México)

   É estranho que o Chefe do Governo português, ou melhor, o Secretário da Chanceler, Doutor PC, continue a apostar na austeridade quando já todo o mundo pede à moribunda União Europeia que abrande com o aperto de cinto infligido às populações europeias dos países mais endividados!

«Os 20 países mais desenvolvidos do mundo vão apelar para um alívio da austeridade orçamental na Europa, tendo em conta a degradação da conjuntura, afirmou na segunda-feira, em Los Cabos (México), a subsecretária do Tesouro norte-americana.
"Vemos uma mudança no discurso europeu quanto à importância crítica do apoio à procura e ao crescimento do emprego", disse Lael Brainard, em conferência de imprensa.
"De uma forma importante, há um reconhecimento da necessidade de avaliar os planos de consolidação dos orçamentos do ponto de vista estrutural. Em suma, de reconhecer a deterioração da conjuntura económica", acrescentou.
O défice orçamental tido como "estrutural" tem em conta os buracos causados nas finanças públicas por uma conjuntura económica difícil. Por isso, em períodos de crise, é menos elevado do que o défice real. Questionado sobre se a Alemanha apoia esta ideia de aliviar a austeridade, Brainard respondeu: "Sim, percebemos da parte dos nossos parceiros alemães que eles têm em conta a procura no seu pensamento de curto prazo".
"Acreditamos piamente que vão ver isso nos documentos que vão sair do encontro (...) Vamos ver que a forte atenção ao apoio da procura, ao reforço da procura, ao facto de reconhecer que a conjuntura se deteriorou é muito importante para os europeus", afirmou Lael Brainard.
Os países do G20 comprometeram-se, no encontro de Toronto, no Canadá, em 2010, a cortar para metade o seu défice orçamental em 2013, um objetivo que a Alemanha tem vindo a recordar, mas que os Estados Unidos não deverão cumprir.

[...]»

Origem: Económico

Consumismo

"Quem quer viver num mundo
melhor e mais harmónico?"

"Quem está disposto a abandonar esse modelo
de consumismo desenfreado para alcançar isso?"


   Sem mais comentários: enquanto nós próprios não mudarmos, também o mundo não irá melhorar...

Os políticos perderam a noção!



Os políticos perderam a noção do que é o bom senso!


Pode ler-se na imprensa:

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje "impressionantes" os passos que Portugal, Espanha e Itália deram para aumentar a competitividade no mercado mundial, e voltou a sublinhar que a austeridade é tão importante como o crescimento económico.

   Isto significa que, apesar de muitas vozes dissonantes a este tipo de raciocínio, até mesmo por parte de políticos alemães, os responsáveis políticos preferem ser insensíveis à realidade e ao sofrimento das pessoas, e das famílias, e debruçam-se unicamente sobre interesses económico-financeiros que beneficiem grandes multinacionais, a Banca e os círculos de amizade e de influência dos próprios políticos. O mesmo é dizer: perderam o bom senso.

   Quando a chanceler alemã, ou qualquer outro político, ou mesmo os economistas dizem que a austeridade é importante não estão apenas a ser mentirosos, como também estão, sim, a ser burros, insensatos e insensíveis. E por quê? Porque mentem por omissão quando dizem que há necessidade de aplicar a austeridade, omitem que é na política e na Banca que esse procedimento é necessário e acabam por aplicar a austeridade à população. São burros porque ao dizerem isso pensam que as pessoas têm todas os olhos tapados e que acreditam naquilo que lhes tentam impingir. São insensatos porque decidem aplicar "soluções" injustas para o pequeno comércio e indústria e prejudiciais para o bem-estar da população, e insensíveis porque não se preocupam que as medidas implementadas possam arruinar a vida das pessoas e das comunidades em que se inserem. Em suma, apenas pensam neles e nos benefícios a retirar de tudo isto para si mesmos.

   Por que será que quando se fala em austeridade não se vê a sua aplicação aos meios responsáveis por toda esta situação que estamos a viver e que são a política e a Banca? Apenas vemos como pagadores desta situação aqueles que pouco tiveram que ver com o que se está a passar! A população, em geral, também não está isenta de responsabilidades, mas é, sem dúvida a que menos culpas tem neste cartório de irresponsabilidades.

   A austeridade não é necessária, pelo menos nos moldes que está a ser aplicada e qualquer pessoa consegue ver isso. Ela é necessária sim, mas, para ser aplicada aos políticos, só que eles não querem ver isso. Então, invertem os papéis e dizem que a população tem que pagar a crise. Que o país tem que pagar os compromissos assumidos. Mas isso não é assim, quer dizer: não devia... ser assim! É que a responsabilidade pela porcaria que foi feita não é assumida, nem paga, por quem a fez mas, sim, pelos ingénuos dos votantes, apoiantes dos Governos, e também pelos outros que tendo ido votar não elegeram esses políticos que não foram, ou não são, honestos na forma de governar.

   Porque tem um país que pagar em poucos anos uma dívida que pode ser paga no dobro ou no triplo do tempo? Simplesmente porque os senhores que emprestam dinheiro às nações querem ver os seus rendimentos proliferar rapidamente, pouco importando que isso implique sacrifícios muito pesados para pessoas que não têm culpa de nada.
Ora bem, nos dias de hoje os estados europeus são considerados "eternos", quer isto dizer que não irão ser anexados por nenhum outro. Logo, não há risco de deixarem de existir, por isso, podem pagar as suas dívidas daqui a 10 ou, até mesmo, 100 anos! Ou, nunca mesmo, como aconteceu com a Alemanha que não cumpriu ordens judiciais de indemnizar outros países por danos de guerra, e o que lhe aconteceu? Rigorosamente nada, aliás, tornou-se na maior economia da Europa. Portugal até poderia fazer o mesmo e não seria tão hediondo como foi o caso germânico.
   Poderão dizer-me que Portugal não pagar as dívidas seria injusto para com os credores! Mas os credores quando emprestam já sabem que correm o risco de ganhar muito se tudo correr de feição ou perder se o caso ficar mal parado!


   O grande problema é que quem empresta o dinheiro aos países não são outros países mas, sim, particulares que querem a máxima rentabilidade possível no mais curto espaço de tempo que conseguirem. Mas, uma coisa eu garanto: quando deixarem este mundo não levarão consigo o dinheiro que esmifraram aos outros!


   Entre vários, houve na Europa, dois PM's (Primeiro-
-Ministros) que foram muito mauzinhos nas suas funções, no entanto foram eleitos democraticamente pela maioria do povo votante (não forçosamente pela maioria do povo eleitor que inclui os abstencionistas), e curiosamente apesar de eu não gostar dum nem doutro tenho que lhes dar razão nalgumas afirmações que fizeram após terem abandonado os cargos que ocupavam e da cagada que fizeram aos seus países:



José Sócrates, ex-primeiro-ministro 1- A primeira foi de Pinto de Sousa (vulgo Sócrates) já no seu idílico exílio parisiense que afirmou ter aprendido que as dívidas dos países não para se pagar (mas, sim, para se irem pagando). Que pena que o bom senso pós-governativo não tenha existido no seu tempo de governante!


2- A segunda foi doutro péssimo político o sr. Berlusconi, que afundou a Itália mas afirmou que se a srª. Merkel não mudar de rumo a Alemanha deverá sair do euro...

   No meu país, e não só, mas também na Europa e no resto do mundo, estamos a assistir à insana loucura do egoísmo e da usura, em que o importante é o que cada um quer, seja de que forma for, e de preferência que possa dar lucro, muito lucro, e rapidamente!

   Uma determinada secção hospitalar não dá lucro! Encerre-se, pouco importando que alguém vá deixar de ter acesso a esses cuidados de saúde. Um tribunal está a dar prejuízo! Feche-se, pouco importando que a injustiça aumente nessa região. Uma escola tem poucas crianças! Transfiram-se esses alunos, pouco importando que eles tenham que andar muitos mais quilómetros para se instruírem... assim como também não importa que os doentes tenham que percorrer maiores distâncias ou que não haja esquadras de polícia para defender as populações... que se fechem as estações de Correio, as repartições públicas, as lojas... etc. etc. etc! Nada disso importa porque tudo deriva da insensatez e da insensibilidade da classe política que se ajoelha à usura bancária e à ganância económico-financeira de certos grupos ou pessoas.


Stiglitz
Toda a gente percebe que os político e os usurários nos enganam dizendo que temos que passar por tudo isto, mesmo apesar do Prémio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, dizer que a austeridade não é o caminho!

   Querem fazer-nos crer que Portugal está no bom caminho por estar a destruir a pequena indústria, o pequeno comércio, o emprego e o poder de compra da classe média e a esmagar os pobres e endividados! Isso é insensatez e insensibilidade por parte de quem detém o poder. Mas, é também responsabilidade de quem não vota, de quem vota de forma inconsciente e de quem nada faz para lutar contra o mal que está a instalar-se  nas sociedades europeias e mundiais.

   Talvez inspirado no que escreveu Vladimir Mayakovsky (Maiakovski):

«Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.
»Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão. E nada dizemos.
»Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho na nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo o nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E porque nada dissemos, já nada podemos dizer.»


Bertold Brecht, escreveu também:

«Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
»Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
»Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
»Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.
»Agora estão a levar-me 
Mas já é tarde...
Como não me importei com ninguém
Já ninguém se importa comigo. »
E, Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazis, escreveu:


«Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
»No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
»No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
»No quarto dia, vieram e  levaram-me;
mas já não havia mais ninguém para reclamar...»


   Assim são as pessoas, muitas delas não se importam com o que acontece aos outros, porque aquele problema "não" é delas!
   Estes três textos acima conduzem-nos à reflexão, e assim percebemos que a culpa das burradas feitas pelos políticos e o encolher de ombros com o que está a acontecer aos outros faz de cada um de nós, eleitores e cidadãos, responsáveis pelo momento que estamos a passar.


Os políticos e os usurários perderam a noção de bom senso, e o resto da população também...



26.5.12

União SIM, mas qual unidade!?



   A ganância humana é incompreensível, especialmente, nos dias de hoje. Terá sido compreensível no passado (embora injustificável), mas hoje nem se justifica nem se compreende, mesmo!
   A olho nu não se percebe, mas se for analisado sob o ponto de vista psicológico conseguiremos entender que há uma característica no ser humano que o leva a ser ganancioso: é o ego. É o instinto animal e irracional de sobrevivência. É o querer ter sempre mais com medo que alguma coisa lhe falte, sem parar para pensar que durante a sua vida não se necessita de tantas coisas quantas aquelas que se acumulam e no dia da morte física nenhum dos bens acumulados seguirão viagem connosco.   Começo por falar na tendência gananciosa porque essa é realmente a base da situação que se vive actualmente.

   O projecto da União Europeia surgiu com o intuito de aproximar os povos que viveram em guerra durante séculos. Isso pressupunha um esforço de todas as nações integrantes dos primeiros núcleos como a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, passando pela Comunidade Económica Europeia até à constituição da UE, e da integração futura de outros povos e nações ao grupo da União.

   A União Europeia deveria ser uma unidade federal em que cada povo-nação-estado-membro fosse tratado da mesma forma, com os mesmos deveres-obrigações e direitos-regalias; e onde cada povo fosse ensinado a respeitar as diferenças dos outros, pois para se poder viver em união nenhum povo poderá considerar os outros como inferiores. a UE precisa ser uma Comunidade preocupada com a parte social e humana e não um grupo mercadista ou mercantilista, apenas com intuitos de transacções financeiras dos mercados ou de bens mercantilizados.

   Assim, enquanto a União se virar para o aspecto negativo do capitalismo que é o neoliberalismo (ou capitalismo selvagem) e esquecer as pessoas e os grupos de pessoas, as sociedade, e os povos nada funcionará bem.

   A seguir é possível ver um vídeo grego que nos explica muito bem como se destroem povos e países, começando pela antiga Alemanha Democrática após a integração na Alemanha Federal, passando pela Grécia com rumo a Portugal e a outros estados-membros da União como a Espanha, a Itália, ou mesmo a Bélgica ou a França.


   Há alguns anos a Argentina também foi destruída pelo neoliberalismo do seu presidente Carlos Menem, como se pode ver mo vídeo a seguir, modifiquemos-lhe o título para "Portugal (Grecia ou Europa) de los neoliberales" ou para qualquer outro cabeçalho ao nosso gosto e pretemos atenção ao conteúdo, à mensagem que nos é revelada.


   Hoje, a O Governo espanhol, e a UE vêem com maus olhos as atitudes da Presidente argentina Cristina Kirchner e do Presidente boliviano Evo Morales que decidiram nacionalizar multinacionais espanholas que apenas estavam a prejudicar os seus povos e os seus países, mais do que a oferecer-lhes qualquer benefício.

   Como poderemos nós portugueses assistir de braços cruzados ao aumento do preço das tarifas da electricidade e ao mesmo tempo saber que o Conselho de Administração da EdP recebe mais de 17 milhões de euros por ano!? O director executivo da EdP já passou por outros cargos em que beneficiou ele próprio, e tornou possível outros beneficiarem, de dinheiros públicos, basta que se procure "salários de António Mexia" no Google (ou noutro qualquer motor de busca da internet); estas foram algumas das fontes de receitas: Galp Energia, GdP, Transgás e ministro das Obras Públicas e Transportes. Nada tenho contra o sr. Mexia, em particular, mas sim, em geral, contra todos os vampiros da nossa sociedade onde há demasiada promiscuidade político-económica permitida pelos eleitores-
-contribuintes!

   Voltando à Europa, nenhum cidadão europeu poderá continuar a perseguir apenas o seu umbigo se quiser viver num continente com futuro e com qualidade de vida. Para isso será necessário que os Governos nacionais promovam através da educação a unidade dos povos, que se fomente o uso duma língua comum europeia que não seja propriedade de nenhum dos estados-membros e que haja canais comunitários de TV, além de se fomentar ainda mais o intercâmbio estudantil para que as pessoas se vejam como células de um corpo e não como concorrentes ou inimigas dentro da mesma União. A UE precisa de ter uma unidade judicial, educativa, laboral, política e monetária em todos os seus estados-membros, em vez de ser uma autêntica manta de retalhos de vontades e interesses discordantes.

   Os cidadão escandinavos, ou nórdicos, por exemplo, que vivem em sociedades, aparentemente, bem estruturadas mas com elevadas taxas de suicídio e onde surgem no seu seio atiradores furtivos com intenções de assassinatos colectivos não deverão pensar que os povos do sul que gostam de confraternizar com os amigos e familiares numa esplanada de café, ao sol, são pessoas inferiores. Tão importante como a organização da sociedade é o bom relacionamento entre as pessoas, e é isso que falta aos povos europeus: olharem-se como um só e perceberem que precisam de viver em União mantendo bons relacionamentos. As guerras europeias precisam de fazer parte apenas dos livros de História e não do coração das pessoas...

Congratulations populos europeos
(Felicidades aos povos europeus - interlíngua)



João Galizes